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Sé de Lisboa PDF Imprimir e-mail

Sé de LisboaA Sé de Lisboa, monumento nacional desde 1907, foi construída na segunda metade do século XII no local da antiga mesquita almorávida, arrasada depois da conquista da cidade de Lisboa aos árabes por D. Afonso Henriques.
O edifício, erguido em estilo românico pelo mestre Roberto, põe de péuma estrutura fortificada e robusta, herdando essa memória militar e defensiva.

A Sé constrói-se sobre uma planta de três naves - sendo a central em abóbada de berço e as laterais em abóbada cruzada - e sobreas duas laterais erguem-se duas curiosas galerias - o trifório. Hoje,as naves da Sé são talvez das poucas estruturas que saíram quase ilesas dos sucessivos acrescentos e restauros. Os últimos, já feitos no século XX, tornaram o monumento num verdadeiro pastiche, nas
palavras do historiador José Luís de Matos.
Sobre o cruzeiro, que nas igrejas com planta em cruz latina é o espaço onde se cruzam os dois
braços da cruz, ergueu-se uma torre por cima da capela-mor.
A campanha de construção prolongou-se até aos inícios do século XIII,quando se começou a introduzir nos capitéis da fachada principal uma linguagem gótica. A partir daqui, a Sé-Catedral foi objecto de várias
campanhas, como seria de esperar num dos edifícios mais antigos dacidade e o centro da vida religiosa.
É  do reinado de D. Dinis que data a construção do claustro, altura em que foi demolido o bairro islâmico situado a nascente da Sé. A obra, construída num terreno que sofreu umaterro, implantou-se com dificuldade, utilizando como decoração osmotivos vegetalistas tão em voga no gótico português.
O acrescento mais importante do estilo gótico será, no entanto, aconstrução de uma nova cabeceira por D. Afonso IV, cujo centro é a capela-mor, que o rei reservou para panteão privado. Foi esta campanha que ergueu o deambulatório - a galeria que envolve a capela-mor, rodeada de outras capelas, típica das grandes igrejas de peregrinação da Idade Média.
Já no século XVII, o arquitecto Marcos da Cruz constrói em 1649 a nova sacristia, com a particularidade de toda a estatuária retratar apenas santos portugueses.O terramoto de 1755 viria a afectar fortemente o edifício, desaparecendo parte do claustro, da capela-mor e da torre sobre o cruzeiro. D. José reconstruiu a capela-mor, sendo posteriormente o interior renovado com uma decoração neoclássica, fazendo esta
intervenção quase desaparecer o sabor românico-gótico.
No início do século XX, Augusto Fuschini começa as campanhas de restauro, com alguma fúria purista e romântica, reconstruindo pormenores que ninguém sabia exactamente como tinham sido. O restauro de António Couto já não procura uma Sé idealizada, mas a imagem que hoje temos do monumento tem muito a ver com estes trabalhos do século XX. Como diz José Luís de Matos, os restauros tiveram o mérito de tornar visível o único edifício românico-gótico da cidade de Lisboa.

In Publico 

 
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